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O uso de produtos específicos para a higienização feminina ajuda no combate de infecções. Orientação deve ser feita para diferentes momentos da vida da mulher

 Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), diferentes fatores podem interferir no bem-estar da mulher, como atividade sexual, alimentar, hormonal, emocional e de higiene. Para a maioria do público feminino, a grande preocupação é daquelas com intensa atividade diária, em que a falta de asseio da área genital pode promover o desenvolvimento de corrimentos, odores desagradáveis e infecções. 

Ou seja, a higiene feita de maneira incorreta ou em periodicidade menor do que o necessário pode levar à proliferação de fungos e bactérias. “Uma vagina saudável possui diversas bactérias e um número pequeno de células fúngicas. Elas são responsáveis por manter a flora vaginal equilibrada e impedir o aparecimento de outras bactérias e fungos que sejam nocivos à saúde da região. Alguns fatores externos e internos interferem no balanceamento desses organismos, como queda na imunidade, estresse e falta de sono”, explica a diretora global de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos da Johnson & Johnson, Maria Marcia Caldas.

O Guia Prático de Higiene Genital Íntima, desenvolvido pela Febrasgo, orienta a frequência diária de higienização de uma a três vezes por dia em clima quente e ao menos uma vez ao dia nas temperaturas mais frias. A higienização deve ser feita no compartilhamento externo e intermédio, evitando as partes internas da área íntima. 

“Deve-se lembrar de que a higiene com produtos deve ser somente na porção externa genital, ou seja, na vulva. Evitar fazer uso de duchas vaginais ou higiene da porção interna da vagina, pois ali habitam bactérias que fazem parte da flora vaginal normal e que são importantes para evitar infecções, assim manter um equilíbrio desta flora é mais saudável”, pontua a ginecologista, obstetra e mastologista do Hospital Sírio-Libanês, Dra. Leila Domingues de Oliveira Corrêa.

Produtos específicos

Para proteger a área vaginal de problemas, mulheres buscam por itens que sejam desenvolvidos especialmente para o cuidado das partes íntimas. Isso acontece porque o pH da região é diferente do resto do corpo.

“O pH é diferente porque existem bactérias que vivem na flora vaginal. Por causa disso, o pH se torna mais ácido, justamente para ser um mecanismo de defesa para a região”, explica o ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Sérgio Prodgaec. Por isso, a Febrasgo indica o uso de produtos hipoalergênicos, com detergência suave e pH ácido variando entre 4,2 a 5,6. 

De acordo com a vice-presidente de inovação da NIVEA para as Américas e diretora de marketing da NIVEA Brasil, Tatiana Ponce, o ideal é utilizar produtos desenvolvidos especialmente para essa área, pois eles garantem seu equilíbrio e não agridem a pele e a mucosa, o que os sabonetes comuns não fazem.

Mas não somente isso é importante. A executiva cita como a escolha da roupa íntima correta ajuda na saúde da mulher. “Preferir calcinhas de algodão a tecidos, como lycra e seda, é uma boa opção para manter a saúde da região íntima feminina. As calcinhas de algodão, além de serem mais confortáveis, ajudam a evitar inúmeras doenças. Já os tecidos sintéticos podem abafar a região e acabar favorecendo a proliferação de fungos e bactérias”, cita.

Além dos sabonetes, as mulheres incluem em sua rotina os protetores diários, que prometem deixar a região íntima mais limpa durante todo o dia. “O uso do protetor diário é uma das opções para que as mulheres possam se sentir frescas ao longo do dia, já que absorvem a umidade natural e possuem uma camada respirável. Trocar o protetor diário sempre que sentir necessidade é importante para preservar o conforto e a sensação de bem-estar”, afirma a executiva da Johnson & Johnson. 

Higiene correta

A maneira como a mulher deve fazer sua higienização depende da circunstância em que ela se encontra. O Guia Prático de Higiene Genital Íntima cita algumas das particularidades que devem ser respeitadas:

Após relação sexual: a área genital externa deve ser limpa com água e produto de higiene íntima. Não fazer uso de duchas vaginais sem indicação médica.

Período pré-menstrual e menstrual: o hábito de higiene deve ser feito com menor intervalo, para aumentar a remoção mecânica dos resíduos e melhorar a ventilação genital. Sangue menstrual, maior produção de secreção sebácea, sudorípara e glandular, em conjunto com o uso prolongado de absorventes com película plástica externa são fatores agravantes de irritação.

Puerpério recente: a higienização deve ser feita como no período menstrual, com produtos com pH levemente ácidos. A maior frequência é recomendada, porém com cuidado, já que a pele e a mucosa deverão estar mais irritadas naturalmente.

Pós-menopausa: devido a menor espessura do epitélio, é recomendado lavar, no máximo, duas vezes ao dia, usando produtos com pH próximo ao fisiológico para evitar maior ressecamento.

Infância: devem ser usados produtos com pH entre 4,2 a 5,5 quando for dar banho na criança e a cada vez que houver evacuação. Além dos sabonetes líquidos, é fundamental o cuidado em secar, cuidadosamente, a região. 

Pós-atividade física: fazer a higiene logo após o termino dos exercícios para evitar que o suor e outras secreções irritem a pele. 

Pós-depilação: com a maior possibilidade do aparecimento de foliculites, ressecamento e irritação da pele, recomenda-se o uso de substância antissépticas e anti-inflamatórias naturais (água boricada, água termal, entre outros) nas primeiras 24 horas. 

 

Foto: Shutterstock